terça-feira, 31 de julho de 2007

Estória para ler

Aqui está uma estória que eu escrevi já há uns tempos!
Espero que gostem! Aceitam-se sugestões!


NADAR NÃO É APENAS EXERCÍCIO


O sol já começava a baixar. As árvores despiam-se e o tempo resfriava. A Natureza parecia estar a adormecer num sono profundo. O céu tingia-se de tons cinzentos e de raros laivos azuis-escuros aqui e ali, espalhados um pouco por todo o lado.

Apesar desta mudança acentuada no meio envolvente, esta transformação propiciava certos momentos de aventura. Este facto pode parecer contraditório, mas era simplesmente a verdade.

Ao largo de um vasto e resplandecente lago, cristalino como gotas acabadas de brotar da mais pura nascente, crescia a olhos vistos um aglomerado de relativa extensão. O mais atento viajante que se encontrasse a sobrevoar esta linda região, conseguia observar este conjunto, mas não vislumbrar do que era composto. Por sinal, era castanho-esverdeado. Este ajuntamento era o resultado de um longo processo, mas mais simples do que poderia parecer. A Mãe-Terra, tem uma força brutal, que nascera consigo e que se mantem ao longo dos séculos. Contudo, pode ser utilizada para os mais variados fins, e neste caso, fora utilizada com um sentido negativo. Muitos quilómetros distantes do referido lago, existia um extenso arvoredo, formado por pinhais, castanheiros, e por outras espécies de árvores, cada qual mais bonita que outra. Ao pé deste arvoredo exista um riacho que tinha uma força tremenda e que com o passar do tempo, foi acentuando-o. Num certo dia, triste e chuvoso, a chuva aliou-se com a força do riacho, e tal não foi o resultado desta associação, que até os mais fortes castanheiros não resistiram e cederam à força das águas.

A água, impiedosa, levou e arrastou consigo as árvores, através de um longo e sinuoso caminho, até chegar ao vale onde se encontrava o vislumbrante lago. Nesse vale, a terra fazia com o lago uma baía, onde pela sua extensão, começou a acolher as árvores, formando assim um aglomerado.

Neste aglomerado, as árvores já não serviam para a sua função primordial, mas sim , agora, para abrigar animais e diversas plantas aquáticas.

Um desses habitantes era o castor Adelino, que era muito gordo, apesar da sua tenra idade. Era filho de Idalina Manuela Gertrudes e de José Manuel Gertrudes. Não teria mais do que cinco ou seis semanas mas apesar da sua anormal obesidade, era dotado de uma agilidade aquática sem precedentes na família, além de que era muito bem-disposto. Todavia, só dava um ar da sua graça, quando queria, pois era muito teimoso, não querendo ouvir opiniões de outras pessoas. Comia, comia, comia. Parecia um rato que anda sempre a petiscar e raramente saía da sua toca, pois a sua melhor companheira, a preguiça, andava sempre lado a lado com ele.

Os pais insistiam para que fosse para a água e se exercitasse, de forma a se desenvolver. Apesar de todas estas insistências, o castor engordava e teimava, não querendo desenvolver-se como os jovens castores.

Passados largos meses, ao romper da aurora, o castor acordou, com o soar de gritos desesperados de ajuda. A muito custo ergueu a cabeça para ouvir melhor e, distinguiu claramente o soar de gritos de urso. Quando se apercebeu disto, teve um arrepio na espinha, dizendo que em caso algum saíria da sua confortável toca, onde estava muito bem recostado na almofada.

À medida que o sol despontava, o som tornava-se mais distinto, não querendo o castor que os pais acordassem, pois obrigá-lo-iam a fazer exercício. Tendo em conta este facto, e enchendo-se de força, pois tinha pena do urso, levantou-se. Saíu sorrateiramente da toca e mergulhou na gélida água, vindo depois ao de cima. Procurou o urso, e graças à sua excelente audição, pouco comum entre os castores, encontrou o local de onde provinha o som. Dirigiu-se para esse local e em pouco tempo, encontrou o infortunado urso, que se tinha ferido num arbusto e ficado com a pata presa, quando caçava.

Depressa socorreu o urso e dirigiu-se a casa, levando o urso, que era muito jovem, nas costas. Em casa, e com a ajuda dos pais, prestou os primeiros-socorros ao urso, levando este depois para casa, onde os seus pais já estavam preocupados.

Com esta história, o castor Adelino aprendeu que nadar é muito bom e que serve para ajudar os outros, passando a exercitar-se todos os dias.





Lisboa, Julho de 2006

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